Morro Azul de Pomerode
Eu pomerânos, tu pomerânas, eles pomeranam.
Ah, paciente leitor, achou que o odois tinha acabado?! Pois bem, ainda não. Uma breve pausa de 6 anos e cá estamos, de volta. De volta ao Vale Europeu, dando voltas. Bem como o redator que, alegremente, de voltas vos fala.
Estivemos mais uma vez naquele que, sem dúvida, vale um europeu. Vale um brasileiro, vale um final de semana e vale empurrar bike em alguns tantos trechos das colinas pomeranas. Não se engane, arqueológico leitor, este Morro não é o Azul de outrora. Estamos em ares catarinenses, com subidas, estradas de chão, clichês cíclicos e, claro, enigmáticas aparições de potenciais dançarinos bigodudos. Bora dar uma voltinha?
Com quantas marchas se desiste de um pedal? Quão barato um café colonial tem que ser para valer inventar um roteiro inteiro um desvio? Qual o significado da expressão "subir o treze" em Pomerode?
Brotamos magicamente no centro de Guaramirim, entre as movimentadas e animadas Jaraguá do Sul e Joinville, determinados a conhecer o Morro Azul de Pomerode. Não sem antes encaixar um roteiro não despropositado ao café do 10zão 15ão 25pila caminho.
Devido ao incomum atraso na publicação desta expedição, é de comum acordo que declaram os redatores que, ainda que corrigidas pelo INPC do período, quaisquer piadas de deizão não valem o café derramado, uma vez que trocadilhos não se pagarão.
Café tomado, opulentamente alimentados (polenta e salsicha inclusas), seguimos para a primeira escalada do dia: a famosa subida do treze.
Relatos inconclusivos sustentam que subir o treze, a caminho de Pomerode, refere-se a um percurso com tal grau de inclinação exaustão que aqueles que ousarem enfrentá-lo serão tentados a desistir mais de uma dúzia de vezes. Outros mais socráticos, que por lá se aventuraram a perguntar, advogam que o termo se origina no nome da localidade Treze de Maio Alto, no final da subida. Por alto, não há concílio sobre o tema.
E se lhe parece que essa história não leva a lugar nenhum, ansioso leitor, não se engane: já nos íamos descendo vertiginosamente à Pomerode, a capital da festa com o maior ovo de páscoa do Brasil Osterfest. E sim, chegamos lá no dia da festa. Sem saber, claro. O núcleo urbano festivo logo ficou para trás, nosso olhar era para o cume. Aquele sentinela fixado na paisagem e observando toda a cidade. O alto, o pico, o ápice do Morro Azul pomerano.
- Revisor único: Estou lendo um livro a respeito da boa escrita para relatos de viagens. Palavras que você não usaria no dia-a-dia ou expressões clichês são péssimas e não contribuem para o texto. Estradinhas do interior meio abandonadas, cidades em montanhas que lembram ninhos, cachoeiras esplendorosas, aquele sentinela ...
- Redator 1: Tá, mas o odois é um site de viagens?
- Revisor único: Não, é uma palhaçada.
- Redator 1: Então vai ter míriade, verdejante e sentinela no texto, sim.
E assim, com pouco discernimento e muito empurra-bike, alçamos os píncaros do Parque Morro Azul.
- Parque Natural Municipal Freymund Germer
- Popularmente conhecido como Parque Morro Azul, é uma área de lazer com 40 hectares entre os municípios de Timbó-SC e Pomerode-SC. Seu atrativo principal é a vista do cume, aos 758 m de altitude, do qual é possível observar, além das cidades citadas, Blumenau-SC e Barra Velha-SC. O local é muito visitado por amantes de caminhada, ciclismo e parapente. Também é possível chegar lá em cima de carro.
- O local é bem equipado para aqueles que pretendem acampar. Há um vasto gramado plano para armar barracas, além da presença de estrutura básica com banheiros, chuveiro quente e quiosque com mesas. O camping fica em uma área mais protegida de vento e intempéries proximo à portaria do parque. De lá para o cume é necessário realizar uma caminhada de aproximados 1.3 km de subida.
Acesso: O acesso por Pomerode é na saída sul da cidade, tomando a esquerda na Rua Ribeirão Herdt, no final da Av. 21 de Janeiro. São 14km desde o pórtico da cidade. Desde Timbó, deve-se tomar a SC-110 pelo bairro Pomeranos e sair da rodovia à esquerda pela R. Tifa Colley.
Devidamente instalados no equipado camping do parque, decidimos que a breve caminhada até o cume era oportuna. Para quem já tinha empurrado a bike um bom trecho, subir só carregando o próprio corpo era lindo, leve e solto. A vista compensa, não restam dúvidas que a cidade de Pomerode parece um ninho em meio às montanhas.
Falando em ninho, por hoje deu, todos pra dentro dele.

pare, olhe e escute o que a gente tem pra falar

esta é a história de um roteiro

que não é apenas sobre um café colonial muito barato

também não é sobre o du parado regulando a bicicleta e o alforje uma foto após a outra

é mais sobre uma subida que ainda não começou

também é sobre florzinha, algo que não pode faltar por aqui

e estradinhas quase abandonadas do inteiror da europa

da europa tropicalizada, digamos assim

também é sobre arrozdovia, mesmo que não seja arroz

e sobre celebrar os momentos em que o du está conseguindo pedalar ao invés de consertar

não podemos esquecer de falar também do joão e do quando ele se sente em casa

sem dúvida o comentário da foto anterior foi a primeira tentativa real de tornar essa sequência cômica

porque afinal, se o assunto é vale, chegou a hora

a estrada pode não acompanhar as normativas, mas a placa acompanha

apenas a primeira das extensas e intensas subidas por aqui

a famosa subida do treze: treze razões para desistir no meio

a subida só passou rápido aqui porquê o fotógrafo ficou sem forças até pra clicar

não podia faltar o famoso registro do pórtico de pomerode

um esforço artístico gigante para enquadrar o morro azul

em plenas terras alemães, tio joão interpreta um francês simpático

e falando em interpretar, é o du de bom humor?

vai ter foto de banco? que vantagens tem esse banco?

você pensou num cdb com 115% do cdi, teu diagnóstico é ter mais de 30 anos e ter vivido a 5ª série

de enxaimel e enxaimel, por aqui não faltam rotas

- eu tenho cara ou maquiagem de palhaço por acaso?

mas isso aqui é uma verdadeira palhaçada

- eu ri

nessa altitude já tava todo mundo no limite mesmo

chegamos a comentar alguma coisa a respeito de subida ou não?

essa flor de lótus é praticamente uma pausa meditativa na saga

muita dificuldade de encontrar um lugar com grama para acampar

e no final do dia, no final do sol, eis que seguimos a pé para o cume

jean pierre admira o por do sol em terras pomeranas

e lá está ela, a pomerode, como um ninho panorâmico entre as montanhas

e lá está ela, a lua, como uma lamparina a iluminar a noite

e lá está ela, a ração humana, como uma lenta afronta aos bons costumes culinários
Eram 5h da manhã, todos escondidos em seus respectivos saco de dormir, clima menos-do-que-ameno de montanha, e um bigode bateu em nossa porta. Ele mesmo, o paladino desmascarado, o representante comercial do odois na regional catarinense:
"Vim conferir se está tudo certo com esta expedição. O horário de acordar eu já vi que está errado, hã?"
Mr. Heil, o próprio, aquele que coloca despertador 1h antes do combinado só para quebrar o gelo.
Ninguém sabe explicar como ele apareceu, mas sabemos que ele desapareceu de forma eficaz: levou parte da nossa bagagem de carro, diretamente para além do ponto final de viagem. E nem obrigou ninguém a dançar em troca.
Uma ensolarada e leve manhã acolhia aos que estavam no segundo-ponto-mais-alto de Pomerode, guiando a tranquilidade morro abaixo.
- Revisor único: Leve manhã, mesmo para uma palhaçada sem compromisso com a literatura de viagem, é um pouco demais, né?
- Redator 1: Sim, estava demais.
- Revisor desistindo: Tá. Vamos pelo menos cuidar com a palavra Pomerode, já estamos passando de dez usos.
No final da descida retornamos à irmã alemã de Timbó, fechando um definitivo abraço ao território do Morro Azul. Mas era pouco. E cedo, ainda.
Recorremos a mais um roteiro encaixado emblemático: a famosa subida do Rio Ada, no alto da Rota Enxaimel. Para os muito que já se aventuraram no Vale Europeu, este é aquele batismo do primeiro dia (mas no sentido inverso). Uma lembrança de +15% de inclinação na parte final.
No fim, o trato com o fio do bigode rendeu bem. Mister não só carregou a bagagem de camping, mas também combinou de entregá-la no saborosíssimo café colonial Alles Blau, na Estrada Rio Bonito, já pertinho de Joinville. Se engana quem acha que o velhinho aparece só pra lavar louça, ainda tem muita volta pra dar por aqui!

ciclistas agindo como ciclistas. ao centro, o odois

a expressão da cidadela ninho entre as montanhas ainda está cancelada?

jean pierre ainda vê graça e chance de êxito

nove horas da manhã e o zangado rindo? ainda é da história do ninho?

agora sim, zangado com cara de zangado, até na descida da foto 29 invertida

olha só quem também está sorrindo por aqui hoje: o fotógrafo!

o fotógrafo mostrando um pouco do seu trabalho

que é basicamente o que ele já estava fazendo antes, exceto na foto 42

as vacas, por sua vez, mostrando o trabalho das vacas

a prefeitura, mostrando seu trabalho de ciclofaixa

e aqui, simplesmente, pessoal do odois mostrando o seu trabalho

mais um pouquinho de ciclofaixa antes da aventura recomeçar

parece que vai ser bem menos difícil dessa vez

opa, falamos cedo. atualizando o status na subida invertida do Rio Ada

sofrendo e sem alforje? já não são os mesmos do tempo do vale europeu

quem tem limite é município!

jaraguá que nos aguarde! daqui pra frente é só pra baixo!

finalmente, a confortável paisagem da planície jaraguá-centralense

é o fim das paisagens de montanhas com cidades que parecem ninhos nos fundos dos vales

tá fazendo a gente de palhaço de volta?

enfim, eis que se apresenta o bigode, aquele que carregou nossa bagagem o dia inteiro
Serviços #
Hotel Andardac. (47)3373-1340, link. R. João Butschardt, 413 - Centro, Guaramirim - SC.
Café e Confeitaria da Nona. (47)99618-2380. SC-108, 5660 - Guaramirim - SC.
Parque Natural Municipal Freymund Germer (Morro Azul). Estrada Geral Mulde Alta - Mulde, Timbó - SC.
Expediente #
Texto por Du, fotos por Lulis, demora por todos.
Pedalado por du, lulis, joão.
Publicado em 22 mai 2025.
