Corupá
Nem deu tempo de descansar do Pico Paraná (e como cansou!) e já apareceu o feriado de Tiradentes, assim, de repente. Pessoas sensatas aproveitam feriados para repousar, certo? Certo, certo... Mas como o odois não faz muito uso do bom senso nós desentocamos um projetinho da gaveta, socamos um pouco para caber no feriado e - a-há! - lá vamos nós para Corupá!
Coruquê? Corupá - uma cidade privilegiada pela natureza, berço de diversas cachoeiras formadas pelos rios que desaguam do alto da serra do mar catarinense. Entre as inúmeras atrações da região destaca-se o complexo de quedas conhecido como Rota das Cachoeiras, uma série de 14 cachoeiras distribuídas ao longo da Reserva Natural Battistella, objetivo dessa nossa viagem.
- A Rota da Cachoeiras
- Administrada pela Associação de Preservação e Ecoturismo Rota das Cachoeiras (APERC), a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Emílio F. Battistella abriga um maravilhoso complexo de 14 quedas d'água formadas pelo Rio Novo, entre elas o monumental Salto Grande com cerca de 125m de altura.
- A sede da reserva conta com boa infraestrutura para visitação: centro de informações (47 3375-2232), sanitários e estabelecimentos para alimentação. Dela partem duas trilhas de acesso às cachoeiras - ambas em bom estado de conservação, principalmente nas áreas próximas aos saltos. A primeira, trilha passa-águas, tem 2,9km de extensão e possibilita a visão de todas as cachoeiras do complexo. A trilha do araçá (2,5km), normalmente utilizada para o retorno, oferece acesso direto ao Salto Grande.
- Os ingressos podem ser adquiridos na entrada da reserva ou nos estabelecimentos da região.
Sem muita noção (novidade...) das estradas e do relevo que enfrentaríamos, animados pelo trajeto inédito e pela primeira estadia em Santa Catarina, partimos para enfrentar três dias que prometiam... E cumpriram! Não cansamos de admirar as belas cachoeiras, todas preciosidades da natureza, merecedoras de especial atenção. E não cansamos de pedalar! Tudo bem, mentira, cansamos sim... Principalmente na volta - também pudera, nunca pedalamos tanto em um só dia! Veja tudo no detalhamento diário :)
Sair viajar na hora prevista não é frequente, mas às vezes acontece. Já o bom humor é presença certa, tanto que antes mesmo de sair do bairro o bruno ganhou um apelido: umbigo. Culpa da carga alta levada no bagageiro: calculamos o centro de gravidade (realmente muito grave) da bicicleta mais-ou-menos na altura do umbigo dele...
Deixando as piadas de lado (de todos os lados), paramos em Agudos do Sul para um almoço breve, observando a matilha de nuvens raivosas que nos cercava... Saímos logo, ainda havia muito o que percorrer. Depois de muitos trocadilhos com galináceos, chegamos a Fragosos, já adentrando Santa Catarina. Por sorte passamos ilesos no posto de fiscalização - estranhamos não nos pararem uma vez que a inspeção de veículos com carga é obrigatória.
Chegando em São Bento do Sul, depois de uma ou outra paradinha para olhar para o céu e sentir medo, optamos por transpor a cidade pelo centro, uma vez que o contorno via rodovia aumentaria o trajeto. O que não imaginávamos é que São Bento é um imenso sobe-e-desce, ladeiras de todas as forças, sentidos e direções... Cidade para se utilizar todas as marchas da bicicleta.
Deixando o dito município relevante sob garoa fina, um susto: no começo de uma subida que não parecia ter fim uma placa dizia: "serra do mar"! O quê? Depois de tudo isso ainda tem uma serra pra subir??? Quem estudou o relevo dessa vez? Arrgh! Descanso incerto e desesperado, alegramo-nos ao descobrir que seria realmente uma descida de serra. Não que seja descida o tempo todo, tem umas subidinhas no meio - faz sentido chamar serra de acidente geográfico -mas em função deste mesmo relevo acidentado apreciamos uma vista encantadora...
Um probleminha com o pneu do umbigo, er, bruno, foi resolvido com cartão telefônico - nada sério, como saberíamos depois... Receando a chuva e a noite que se aproximavam, chegamos a Corupá. Depois de algum trecho de terra conseguimos acampar no Recanto do simpático Sr. Tráudio, um pesque-pague muito bem cuidado à caminho da rota das cachoeiras. E vamos dormir que amanhã é dia de cachoeira!

ops, parece que o pneu do trator do lulis estourou!

em agudos do sul uma paradinha breve, só almoço, nada grave

e vamos embora que nuvem carregada não perdoa nem ciclista bonzinho

desce mais, desce mais um pouquinho, sobe mais, sobe mais um pouquinho

veja a placa e a bike, se você fosse um frangoso nos pararia, não?

ô desespero, ainda bem que essa serra é pra baixo!

essa é só uma das lindas vistas da descida da serra

continua abaixado que eu acho que é isso é uma descida

daqui a pouco a gente chega aí! não chove ainda não!
Acordamos bem cedo, o tempo não dava sinal de melhoras. Mesmo sob garoa, deixamos a barraca no Recanto e seguimos pedalando para a reserva. Após algumas informações na sede, começamos a visitar as cachoeiras pela trilha passa-águas, subindo contra a corrente (mas não nadando...). A garoa fina e a temperatura baixa não nos animavam a entrar na água barrenta das cachoeiras - certamente chovia no alto da serra - alívio para uns, desolamento para outros. As fotos abaixo revelam a maravilha das quedas, é realmente inútil tentar descrever. Na verdade, as fotos dão uma idéia, nada com estar lá...
Falando em quedas, após contemplar todas as cachoeiras sem maiores transtornos, tomamos um susto ao pegar uma trilha que seguia ao lado do Salto Grande - tinha tudo pra ser uma trilha, se não fosse apenas um desmoronamento de pedras meio alinhadas... Descobrimos isso quando chegamos a um ponto em que prosseguir ou retornar seria tão impossível quanto arriscado. Depois do medo coletivo e do susto que o bruno deu em uma pedra, abandonamos a não-trilha e voltamos seguros pela trilha do araçá.
Chegamos no acampamento em meio à tarde, aproveitando para tirar um dedo-de-prosa com o pessoal do pesque-pague. Pudemos nos alimentar decentemente graças ao dú - escolhido para uma missão de busca de víveres em uma vila próxima-mas-nem-tanto.
Depois de ponderar tomamos a decisão de alterar os planos e voltar para casa pela BR101, apesar do trajeto mais extenso - retornar pelo caminho-d'onde-viemos seria imprudente, uma vez a pista na serra (agora subida) era mão-dupla simples e sem acostamento... Todo planejamento deveria prever espaços para os imprevistos - por mais estranho que isso pareça...

o centro de informações da reserva, de onde partem as trilhas

1º salto, "suspiro", digno de de encher os olhos de água...

suspiro com plaquinha pra você não duvidar da gente

2º salto, "banheira", com o bruno de fator de escala

mais de perto, sem o bruno - não, ele não se jogou, era só cena

3º salto, "três patamares", dava pra vender como se fossem duas cachoeiras

destaque para o patamar intermediário, em moldura natural

a ponte e o mirante da próxima atração - não percam!

4º salto, "pousada do café", foto tirada da ponte, ops, observanndo da ponte

foto tirada da ponte e da cachoeira (ahá!), observando do mirante

continuação do rio, este é o 3º salto visto de cima, dá pra ver o 1º patamar...

amostra grátis da próxima cachoeira

alguns trechos ganham um aspecto diferente para facilitar a caminhada e conservar a trilha

5º salto, "repouso", somente a parte superior, com o umbigo atrás da pedra

detalhe das corredeiras da foto anterior, vistas de perto

a continuação do "repouso", com o du, adivinha, repousando um pouco...

detalhe das corredeiras da foto anterior, vistas de... dentro? !!!

6º salto, "remanso grande", um corredor para as águas do rio novo

7º salto, a primeira cachoeira da "confluência", digna de contos de fadas

foto hardcore da galerinha muito fada, digo, muito foda

8º salto, a segunda cachoeira da "confluência", curva perigosa à direita do 7º salto

despedida da confluência, esse molhadinho à direita é do 8º salto...

10º salto, "tombo", não me pergunte, eu também não sei onde foi parar o 9º (corredeiras)

11º salto, "palmito", cachoeira de águas violentas, não é um vegetal

eu realmente não queria escrever isto, mas estes somos nós com a palmito no fundo

estreito acima do palmito, grande fluxo de água em direção à cachoeira, não ao vegetal

12º salto, "surpresa", uma bela queda com plataforma para observação

surpreendente vertigem na vertiginosa plataforma da surpresa

isso sim é a suspresa, vista de cima, olha só a plataforma lá embaixo

bruno, 18 anos, 1,76m, carinhoso, indígena, procuro relacionamento sem surpresas

13º salto, "boqueirão", meio escondido, deu trabalho chegar lá!

a linda queda mais de perto, dá pra ver até o alto boqueirão

a gente, como dá para perceber, chegando aos pés do salto grande

14º salto, "salto grande", grande mesmo, isso sim é que é um salto...

montagem de vista mais próxima à base do salto, ai como era grande

outra montagem (tipo panorâmica vertical), de outro ângulo

queda secundária, menos voumosa mas não menos bela - vide foto43, à esquerda

a paradisíaca continuação do rio e a batida trilha de onde viemos

aos pés da cahoeira secundária, pausa pulverizada para o almoço

comam bem que daqui a pouco a gente vai subir essa "trilha"... urgh!

fim do dia no acampamento, escorre-se o macarrão como der...
Acordamos cedo, tinhamos que desarmar o acampamento e partir logo, o caminho seria longo. Só não sabíamos o quanto seria longo... Sob uma intensa neblina, atingimos Jaraguá do Sul. Seguimos pedalamos muito, poucas paradas, sempre na esperança de não ser tão longe quanto achávamos.
Alcançamos a lendária BR101 (agora o trecho reconhecido, não o referido na viagem da BR101.PR), passamos por Joinville, observando a beleza da planície litorânea que até então nos era estranha. Na verdade, estranho era pensar que, depois de pedalados cerca de 100km, faltavam apenas mais uns 100... Não havia muito mais comida rápida (não é bem fast-food, mas é parecido) e, sem tempo para cozinhar, paramos em Garuva para um lanchinho.
Pouco antes de sair de Garuva, na verdade, exatamente na divisa entre Paraná e Santa Catarina, tivemos que parar para fazer um super-manchão no pneu do bruno. Reparado na descida da serra de São Bento com um cartão telefônico, o pobre pneu estava partindo - partindo dessa para uma melhor. Alguns pedaços de câmera encontrados na frente da borracharia, colocados entre o pneu e a câmera, fizeram o milagre da multiplicação da vida útil do pneu e prosseguimos - ainda havia uma serra a ser transposta.
Descobrimos que a subida da serra da BR376 não é tão amena quanto imaginávamos, chegamos ao fim do trecho mais crítico quando anoitecia. Mas ainda havia muito por pedalar... O bruno inaugurou os led's que havia colocado na bike, sinalizando a ocupação do acostamento e, por vezes, da terceira faixa por ciclistas. Lanterninha de mão (quando vamos providenciar os faróis?), algumas paradas e muita conversa de louco, seguíamos na base do "só mais um pouquinho..."
Chegamos exaustos como nunca antes: fizemos três vezes a distância que consideramos ideal de ser pedalada em um dia, com carga e subindo serra. Todos juramos que nunca mais faríamos isso, mas certos de que não cumpriríamos - assim como na semana passada, ao chegar do Pico Paraná...

o amanhecer no recanto, nossa cozinha quase no açude...

outra vista do bem cuidado pesque-pague do s. tráudio

muita carga, quase em jaraguá: é só o começo

um campo de arroz em dia de sol numa planície litorânea (como fica em japonês?)

aêê, aêê, aêê!!! odois na bê-érre cento e um!!!!

paradinha em joinvile - metade do caminho, aindaaaaaagrh!

paradinha em garuva, lanchinho desesperado pré subida de serra

paradona na divisa para evitar a divisão do pneu do bruno