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O² Expedição

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Saída31/01/2015 07:50hPaso Vergara (AR) - Valle Noble
Chegada31/01/2015 18:00hPaso Vergara (AR/CL) - Abrigo de Pedra
CustoR$ 19.00Composdu lulis heil
Pedalada42.1 km4h 52'8.7 km/h
ItinerárioValle Noble - RP226 - Termas del Azufre - Gendarmeria Nacional - Divisa Argentina / Chile

Paso Vergara · dia 4

O dia dentre os dias, o objetivo dentre os objetivos. Alçar a pântano charneca Vergara, no limite entre a Argentina e o Chile. Chegar ao ponto mais alto da viagem para, enfim, cruzar os Andes e desbarrancar-se Chile adentro.

As paisagens só foram melhorando, hora após hora. O relevo andino ficou mais acentuado, a estrada menos arenosa. As sombras, definitivamente, evadiram de lá há décadas. Acompanhando agora o Rio Valenzuela, ascendemos em direção ao pacífico na companhia do vento contra argentino, pontualmente britânico. A muito custo chegamos às Termas del Azufre, um espaço de lazer (longínquo, é verdade) que fora fechado pela vigilância sanitária. Nosso acampamento de almoço estava a salvo.

Fechado, mas não morto, apesar do cheiro de azufre enxofre. Lulis, etimologista, nos explica: a denominação água termal vem do fato da água termalcheiro, mesmo. Ainda assim, encaramos o banho. Rebatizamos o lugar como termas de olor muy malo con aguas de color muy feo. O cenário impressionava, com o vulcão Peteroa no plano de fundo. Relaxamento merecido e justo, que só não durou mais porque não dava pra aguentar o cheiro. Da água.

Como não só de enxofre vive um homem (não nós, pelo menos), seguimos em direção à aduana argentina. Estávamos preocupados, apressando o passo para atravessar a aduana antes das 17h. Era isso ou sentar e esperar até as 8h do dia seguinte. No fim sobrou tempo, considerando a pressa do fiscal argentino em nos despachar dali. Burocracias à parte, logo estávamos oficialmente em lugar nenhum: saídos da Argentina, mas sem dar entrada no Chile.

Nem tão rápido assim, batmá. Os 8km faltantes para o marco da divisa não sairiam barato. Muita subida, estrada arenosa e, lógico, um vento como nunca antes visto na história desse país (ou seria daquele? ou seria nenhum?). Como se não bastasse, nosso roteirista conseguiu encontrar, no único desvio de todo o Paso Vergara, uma opção pior.

O editor ficou possesso só de lembrar. Faz questão de publicar a história, pra ver se o roteirista aprende alguma coisa.

O desvio percorrido se afasta da cordilheira, com menos altimetria. O não-desvio, por sua vez, apenas evita um gigantesco túnel de vento contra entre duas montanhas enormes! Pra encurtar a história e alongar o caminho, o lado ruim rendeu apenas sofridos 1,5km em 30 minutos infindáveis.

Superado (ou quase) esse assunto, restavam exaustivos 5km até a divisa. Com o sol quase se pondo, finalmente chegamos ao marco. O ponto mais alto do paso é um lugar paradisíaco e curioso. Culmina em um pântano que dá origem a dois rios, correndo um para cada nação. Clima e vegetação, até então muito secos, dão lugar a uma extensa grama verde. Um pequeno abrigo de pedra é o acalento de quem pernoita por ali.

Boa noite, Chile. Boa noite, Argentina. Boa noite, nenhum. Oficialmente estávamos em nenhum.

Foto²s

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iniciando os trabalhos com un poquito más de valle noble. o moço aí a frente é o cerro mesa

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nossa última espiada no vale que abriga o rio grande

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o cerro mesa decidiu que daqui pra frente vamos é subir o rio valenzuela. sem moleza!

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uma pequena interrupção para fazer propaganda do nosso patrocinador: lençóis maranhenses, o paraíso é aqui

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que lençol, o quê? é o fotógrafo que tinha se torcido inteiro pra fazer aquele efeito céu de areia

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mexeu com o fotógrafo, agora a interrupção é pra registra uma rara aparição florense

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cerro bayo adelante. más a la izquierda, la cumbre

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aqui no vale do rio valenzuela as coisas são mais apertadas

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só o passo que não, o passo é lento em pleno paso

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pena que ainda tá muito cedo, senão já saia mais um acampamento almoço nesse galpão

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súbídá começando a acentuar

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népornada, mánumtem risco de, ocasionalmente, a estrada sumir com um ventinho?

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- ôÔô du, tens certeza que é por aqui?

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- confiem em mim, alfred e robin!

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cada vez que bate um ventão aqui eles podem fazer uma estrada nova, confere?

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realmente esse rio valenzuela está aqui parazualos

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tão apressadinho, os menino. parece que viram alguma coisa diferente

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uma flor aqui nesse lugar seco realmente é algo diferente

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essa pequena formaçãozinha ai na frente, vulgo cerro cordón del cura, vai com a gente looooonge

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kindófmagic

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mais um pequenino braço do cordón del cura

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vocês também estão tentando entender aquele cercadinho alienígena LÁ no cume?

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esse negócio que vai do vale ao topo da foto é o tal do gradiente, é isso?

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mr. heil atendendo ao chamado dos céus: levanta-te e andes!

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até o rio dá uma paradinha panorâmica aqui pra descansar, porque nós não?

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finalmente uma vista do cume do desdelonge cordón del cura

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ainda não deu pra entender como apareceu aquela flor da foto 225

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corre du, corre que é sol hoje!

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se isso é uma montagem, ficou ruim. se não for, como assim??

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e não é que conseguimos sair daquela sem ter que atravessar uma parede?

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falando em parede, dá um oi pro peteroa (azufre, para os antigos)!

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agora é gelo, não venha com papo de areia

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isso é areia! vulcânica, mas é areia

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isso é... o que é isso companheiros?

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valenzuela ficou mais calminho agora

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mas também, quem não ficaria com o panorama del complejo planchón-peteroa (derecha)

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com vulcão ou sem vulcão, o du saiu correndo pra almoçar

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melhor ir de bike mesmo, tá longe

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mesmo com zoom, as termas del azufre continuam longe

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que gourmet vocês visitarem uma estância termal no meio dessa rooteza

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mas não se enganem pelas aparências, que já não enganam muito

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parece que o dono, por termal administrado a questão sanitária, teve que fechar

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toda aquela sombra e nós fugindo pro meio do mato?

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nada! além de sombra queremos água fresca! fresca?

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- ôÔô du, vais fugir do banho?

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nada, encarando o banho apesar de termalcheiro

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a água, não o du. pormaisque depois do banho, todos ficaram com a lembrancinha do enxofre

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tirando a água de malcheiro com água nãotãolimpa

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retornemos à base, hora de pedir um belo almoço e um quarto para repousar

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o serviço de quarto aqui é um pouco precário

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cordón del cura, ainda ele

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vamos ter que deixar o cura pra trás, nosso negócio é com o planchón

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só relembrando que aquele ventinho está à mil nessa hora

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desse muro pra lá, chamam de chile!

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mas não vamos por esse aí não, nosso negócio é a opção flocos de neve

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- você tá vendo o que eu tô vendo?

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gauchada reunida na gendarmeria nacional - grupo el azufre

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de maneira resumida: aduana da argentina

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fotógrafo entretendo-se enquanto os trâmites pra sair da argentina estão em curso

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ué? ela nem foi nessa viagem?!

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a nuvem. vai ter que correr bastante o carrousel de fotos pra achar

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é aqui que o caminho era pela esquerda e o roteirista optou um péssimo desvio pela direita?

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- ôÔô³ DU, podes escolher um trajeto que tenha caminho?

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e o caminho ruim ainda tinha duas vertentes: a péssima e a impossível. essa escolha ele acertou

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fotógrafo parado pra pegar um fôlego

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roteirista: - pessoal, só escolhi por aqui pra poderem contemplar com muuuuita calma El Planchón!

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chega de reclamação, falta pouco pra chegar no cume

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nem tão pouco, parada pra tomar uma água beeem geladinha

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só pra tomar, banho agora nem pensar

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finalmente um visada da meta: o vale mais alto do paso vergara está logo aos pés do grandalhão

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mas nada é de graça. pode faltar 3km, mas são 3km sofridinhos

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estão gostando da caminhada aí pessoal?

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mrdu em conversa milimétrica sobre os milímetros finais

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chegooooooooou! é o marco da divisa, o pântano que separa geograficamente os dois países

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os quase donos da casa aproveitam os poucos meses que não tem neve por tudo aqui

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pelo visto não é o gelo que mantém a vegetação tão baixa aqui

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lulis dando um gelo no não-fotógrafo com gelo ao fundo (da foto)

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então esse é o camping da noite. bem protegidos, os meninu

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mrheil tem vaga preferencial, montou a cama na peça maior

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bicicletas na cozinha, família betts na dispensa

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a vista também dispensa. comentários

· essa expedição não acabou ·

Terminou a viagem por hoje?
Não deixe amanhã de lado: dia 5

Renato
[15/12/2015 21:24h]
Sensacional! Que tal o Mr. Heil de Jacques Cousteau?
o² expedição
[18/12/2015 11:54h]
Valeu, Pedaleirão! Podemos tentar, mas "el bigodón" sempre cairá melhor no estilo velho-oeste do que documentário ;) Abraços!
IRY FRANCISCO SMIDERLE
[16/12/2015 09:47h]
Essas pedaladas não fiscais que são as verdadeiras pedaladas. Com certeza foi um dos melhores passeios que vocês fizeram, apesar de todas as situações desconfortáveis. Acho que valeu a pena. Abraços IRY
o² expedição
[18/12/2015 11:58h]
Bom amigo e incentivador Dom Iry, tens mais do que razão. Desconforto passa, boas lembranças permanecem. Ainda mais hoje em dia, que permanecem até em vídeo - e publicamente! ;) Seguro que Valeu! Obrigado!!! Grande abraço!
Fabrício Souza
[17/12/2015 09:01h]
Excelente pedal em 7 dias uma bela aventura, as fotos ficaram magnificas, Parabéns Odoises!!
o² expedição
[18/12/2015 11:59h]
Valeu, Fsfsfsfs!!! Se bem que, com essa paisagem estonteante, temos que admitir que não foi muito difícil fazer boas fotos ;) Hábraços!
mildao
[17/12/2015 09:49h]
Epetacularrrrrrr!!!!
o² expedição
[18/12/2015 12:01h]
No: Ê-pê-tá-cu-laaaar! hahahahahha, Valeu, Mildão! Hábraços!
Paulo Boing
[17/12/2015 11:38h]
Ai que me refiro...
o² expedição
[18/12/2015 12:03h]
Aqui mesmo? =D
Tio Kiko
[18/12/2015 10:04h]
Fantástico. Maravilhosas fotos,muitas dignas de cartão postal. Estão de parabéns o trio pela coragem e pela dedicação de montar todo este trabalho de fotos e textos (os textos não li ainda, mas prometo que vou ler) ABRAÇOS A EQUIPE E FELIZ NATAL
o² expedição
[18/12/2015 12:12h]
Mr KK! Valeu! Isso que as fotos não captam nem metade da beleza do lugar, pense! Obrigado pela força - que vem desde a época das camisetas da tigre! Kk! Promessa é dívida, vamos aplicar o teste de conhecimento nas festas de fim de ano =D Abraço enorme e ótimo natal por aí também! HO HO HO, como diria o outro bom velhinho. =)
Daniel Brooke Peig
[08/01/2016 21:56h]
As excelentes fotos, relatos e vídeos desta página fizeram as memórias que tinha deste percurso regressarem como se fosse ontem. Meus parabéns.
o² expedição
[18/01/2016 23:56h]
Pô, que massa, Daniel! Nesse caso, esperamos que tenhamos retribuído um pouco da inspiração do roteiro. Obrigado pelas generosas colocações! Grande abraço e obrigado!!! ;)
Rogério Leite
[04/02/2016 09:31h]
Eita! Próximo desafio, CAMINHO DE SANTIAGO... 800 km, com menos asfalto e mais ladeiras... Depois, ROTA DA SEDA, de Veneza a Pequim! kkkk... Grande pedalada odoisianos!
Alexandre Moro
[05/02/2016 14:22h]
Parabéns, linda expedição e edição de vídeo idem!
Adriano
[12/03/2016 19:29h]
Que viagem!! Parabéns ao trio, muito inspirador.
Monica
[21/03/2017 20:27h]
Galera, amei o site ! Estou pensando em fazer a rota no inicio de abril. E possivel fazer sem acampar ? Tem refugios/pousadas/ lugares onde ficar sem acampar? Valeu !
o² expedição
[28/03/2017 14:35h]
Olá, Monica! Boa pedida, é espetacular essa travessia! Mas é pouco provável conseguir fazer sem acampar, o trajeto é bem inóspito. Talvez consiga alguma hospedagem nos extremos dela (Las Loicas, Los Queñes), mas o resto é perrengue mesmo ;) Hábraços!
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