O² Expedição

O Passo Santana

Quer saber mais sobre o Passo Santana? Que coincidência, nós também!

Trilha Untitled

A região de Rio Branco do Sul é repleta de áreas de reflorestamento, um cenário perfeito para trilhas - principalmente de jipeiros. Essa trilha é uma boa alternativa para aqueles que vão (de bike, moto ou jipe) para Gruta de Lancinha, partindo da sede do município, e querem ainda mais emoção.

Acesso: Chegando ao centro de Rio Branco do Sul, vindo de Curitiba, siga a avenida principal até o terminal de ônibus urbano. Tome a primeira rua à direita (sobe!), siga por 1km e tome o desvio à direita (foto 8). A trilha termina nas proximidades da suposta entrada da Gruta. Utilize as nossas georreferências por garantia.

Trilha da Samambaia

Se você prestou atenção no nosso relato, já deve ter percebido que essa trilha não existe mais.

Samambaiar

v.t. (lat. polypodium suffodiant) 1. Ato ou efeito de não poder realizar ato ou efeito algum em função dos atos e efeitos das samamabaias ao redor. 2. Esboçar energia cinética, mas permanecer na estática por forças naturais. 3. Ser loucamente segurado, agarrado, ancorado, arrebatado, amarrado, aprisionado, acorrentado, acaceteado, amordaçado, arranhado, aliciado, almodóvarzeado, bloqueado, barrado, detido, torturado, rasgado, represado, retido, ricocheteado, pobrechateado, preso, chumbado, chapiscado, consumido, pipetado e esporado por samambaias - tudo ao mesmo tempo. 4. Tobatear, só que sem a tobata e com as samambaias.

x1
Saída25/07/2009 08:00hCuritiba - Tarumã
Chegada25/07/2009 20:30hCuritiba - Tarumã
CustoR$ 2.00Composdu lulis thiago arce
Pedalada110.0 km8h 48'12.5 km/h
ItinerárioCuritiba - PR092 - Alm. Tamandaré - Rio Branco do Sul - RMs - Passo Santana - Trilha da Samambaia - RMs - PR092 - Alm. Tamandaré - Curitiba

Passo Santana

Internamente conhecido como "projeto Votuverava", este passeio era a menina dos olhos do o² nestas férias julinas. Data escolhida para comemorar o aniversário de 1 ano do garagem, trajeto proposto para soltar todas as tiras e tobatear extensamente pelo confins de Rio Branco do Sul, atrativos naturais escolhidos para surpreender, encher os olhos e a estória.

Então, essa era a proposta. Mas no final entramos em tantas furadas, surtando as tiras ao molho frio-chuva-sujeira, que nós só vimos de longe a menina dos olhos, e cheios de remela. Mas nem por isso a estória foi prejudicada, adversidades acabam alimentando bons contos. Então não perca tempo: leia o livro "Passo Santana e a Invasão das Samambaias", versão volkswaginística traduzida do original alemão "Passo Santana mas a Kombi Fuca, digo, Fica".

Começa o dia com a espectativa de chuva, pois chovia. E de frio, pois congelava. Mas havia tempo que não pedalávamos somente com, com, com ponentes, que insistimos em acreditar que melhoraria. Erramos!

Partimos estrada afora, bem contentes, até Rio Branco do Sul. Lá bolacheamos com os cachorros e partimos, molhados, em busca da Gruta de Lancinha pelas estradas de terra e trilhas sem nome da região. Chegamos em uma residência próxima, perguntamos pela gruta e soubemos que tínhamos que voltar. Voltamos. E subimos, e procuramos, e atolamos, e mateamos, e procuramos, e nada. Gruta? Nada. Só buraco de tatu. Nada. Mas nos vamos, porque ainda temos muito que nos molhar, digo, pedalar.

Nota da trilha: Trilha sonora recomendada para leitura: 1) Danzel - Put your tapes in the air; 2) C&C - Everybody tapes out; 3) Kiss - Tapes off; (trilha nota 8: oito, oito, oitopresoaqui).

Mais estradas e, então, uma saída quase passa desapercebida - a próxima trilha do dia, já bem escondida. Depois de matear, tobatear, escorregar, ser agarrado pelas samambaias (as de verdade, sem alusões ao funkclore brasileiro), ser loucamente ancorado, arrebatado, amarrado, preso, rasgado e torturado pelas samambaias, cada um dos componentes parou, descansou, quase chorou, e seguiu em frente. Dois passos depois estávamos ainda perdidos, todos sendo novamente agarrados, acaceteados, amordaçados, arranhados, enfim, samambaiados. E as bicicletas não sofreram menos: as peças que não foram danificadas, praticamente devoradas pela vegetação rala (e como ralou!), foram literalmente arrancadas da bike (como o espelho do lulis, o paralama do lulis, o suporte de lanterna do lulis e o próprio lulis).

Mas a samambaiada uma hora acabou. Acabou com todos nós! E então, compensando toda a imobilidade que nos afligira, agora deslizávamos. E deslizávamos muito, escorregando nas lisas subidas trilhadas. Andávamos tanto para trás, mas tanto, que certamente prestamos uma homenagem póstuma involuntária ao Michael fazendo uma legítima moonwalking trail.

Depois da batalha vegetal, voltamos à estrada. E voltamos com direito a acidente do Arce - uma quedinha, só para alterar as estatísticas de segurança do grupo, mas ficou tudo bem (não é, rapaz?). E teve também corrente arrebentada do Lulis! E pneu furado do Lulis! E corrente arrebentada do Thiago! E corrente arrebentada do Lulis e do Thiago (não é repetição de texto, não, é repetição de fato: as correntes partiram quatro vezes! e alguns elos partiram para não mais voltar!). Problemas decorrentes da situação precária.

Já era tarde quando chegamos. Chegamos ao começo da outra trilha planejada, na região de Passo Santana. Não, não havia mais condições. Todos optamos por deixar isso para uma próxima (uma próxima vida, talvez). Começamos a voltar, já entre cansados e desesperados, todas as tiras já soltas de tanto tobatear e samambaiar.

No caminho encontramos um pessoal que também sentiu o drama do dia: uns 10 camaradas em uma kombi, ou melhor, fora da kombi, tentando empurrar e desatolar a bendita VW ladeira, digo, lameira acima. Depois de muito empurra-empurra e pneu queimado, uma sugestão de murchar o pneu, com uma forcinha dos cicloturistas (que, imagine, já nem se encontravam cansados...), foi providencial: a kombi foi! É, foi! E nós ficamos. Ainda mais exaustos, molhados e sujos.

O problema da kombi ficou claro: ela é praticamente um veículo, só que sem a tobata.

Passou a kombi (passo santana também), pedalamos mais um pouco e assumimos que estávamos fritos, digo, ensopados de qualquer jeito. Molhados, paramos para denscansar e comer no meio da estrada (literalmente no meio da estrada). Bolacheamos o que tínhamos e partimos para, ao menos, chegar ao centro de Rio Branco dos Sujos (nós mesmos, esses) ainda de dia.

Ao chegarmos no centro de Rio Branco (rio pra não chorar) estávamos bem: bem molhados! Mas apesar disso estávamos bem: bem longe de casa! Mas apesar disso, ainda estávamos bem: bem cansados! Mas na verdade, no final ainda estávamos bem: tá, tá, estávamos bem ferrados, mesmo! O retorno se foi, com chuva e frio, congelando, com lanterninha onde desse... Chegamos exaustos, tentando lembrar porque sempre esquecemos de como é pedalar em dias frios e chuvosos assim (talvez seja porque as estórias, no fim, sempre acabem sendo divertidas de se contar e ler...).

Fotos e texto por Lulis, comentários e reprojeto (adaptado de Hideson) por Du, ancoramento por Samambaias, parada no santana por Kombi.

Expedição publicada em 14/08/2009

Arquivo GPX Arquivo KML Mapa Dinâmico
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Georreferências

Foto²s

Foto² 1
portal da cidade, que tal pessoal? bacaninha!

Foto² 2
era só pra mostar o thiaguito vestindo um manguito apertadito

Foto² 3
esse foi um lugar terminal que a gente encontrou pra refeição

Foto² 4
as roupas no varal estavam secando à chuva

Foto² 5
é fácil sair do centro: duas quadras de asfalto à esquerda - e foi!

Foto² 6
aha, será que esse é o outro portal da cidade, só que sem a cidade?

Foto² 7
jogo do um erro: algum ciclista apresenta sinais de desorientação

Foto² 8
isso mesmo, sigam o du, ele tem certeza que é por aí

Foto² 9
até que tá bem bonitinha essa erosão, digo, trilha de sedimentos

Foto² 10
como toda boa erosão, a água corre do alto pro baixo

Foto² 11
e então, arce, tá acordando ainda? tudo molhadinho por aí?

Foto² 12
o du com certeza estava dormindo ainda

Foto² 13
vamos lá, thi, desce da bicicleta, vc só tá regredindo

Foto² 14
ah, vai dizer que não esperava por esse cânion?

Foto² 15
se ainda dá pra enchergar a trilha tá tudo tranquilo

Foto² 16
sabe aquele papo de tranquilo? leia a placaaa!

Foto² 17
aula de perspectiva artística: avançado II, com aplicação de óleo em tela

Foto² 18
pela perspectiva parece que a coisa tá ficando feia por aqui

Foto² 19
aha! nada disso, voltamos ao asfalto! é. quase isso

Foto² 20
thiago vestido de oncinha de volta?

Foto² 21
primeiro banho oficial, daqui pra frente tudo vai ser diferente

Foto² 22
esse solo é muito curioso. será que ele não vai te perguntar nada?

Foto² 23
tão curioso que exige que passe bem devagar, empurrando

Foto² 24
ok, chega de fotos do solo rugoso tartarugoso

Foto² 25
muito bem garotos, aprenderam o que é equidistante

Foto² 26
estamos todos sorrindo porque acabou a parte ruim, né du?

Foto² 27
du? du? essa é a gruta? du?

Foto² 28
eu tive que subiiir, lá no alto.... e bota alto nisso

Foto² 29
agora sim, nos livramos da tentativa falha da gruta daquele lance

Foto² 30
as samambaias parecem tão inocentes no acostamento

Foto² 31
hum, o fotógrafo vai demorar bastante

Foto² 32
corre fotógrafo, você tá quase alcançando os circoturistas

Foto² 33
o fotógrafo que correu e o arce que caiu... tá sorrindo, é?

Foto² 34
vem cá du, é esse mesmo o caminho? meio fechado não?

Foto² 35
acho que essa samambaia tá te olhando de um jeito estranho

Foto² 36
ih, acho que o du tá meio preocupado com a trilha

Foto² 37
nada disso, todo mundo despreocupado com a trilha, afinal, ela não existe

Foto² 38
mas não foi por aqui que filmaram as bruxas de blair cicletas?

Foto² 39
tá com samambaia no óculos arce?

Foto² 40
isso thi, o GPS diz que é nessa direção, vai sem trilha mesmo

Foto² 41
a pergunta é, veio de onde e está indo pra onde?

Foto² 42
solta a samambaia e olha isso! onde estamos? pra onde vamos?

Foto² 43
freio a cassete com base em samambaia, um bom post pro garagem

Foto² 44
a trilha da desistida! mais essa não dá pra aguentar né du?

Foto² 45
o local fatídico da cena da kombi, episódio 1

Foto² 46
eeeba, todo mundo embarcado na kombi. e os tobatas?

Foto² 47
essa curva começa aquiiiiii

Foto² 48
e na verdade nem termina né, porque a estrada não admite retas

Foto² 49
essa é história das retas que não existem. não existem mesmo

Foto² 50
o lugar menos sujo era o meio da rua, rua? que rua?

Foto² 51
cuidado, uma samambaia pode fazer isso com você também!

Caro leitor, sinta-se livre para comentar sobre esta expedição! Embora o O² não se responsabilize pelo conteúdo dos comentários (vide nossa política de uso), perceba que aqueles julgados inadequados serão enviados ao limbo eterno. Sem volta. Nem pedalando.

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