Florianópolis

13 a 21 jan 2007 9 dias 883 km

Não é justo. Nunca é. Na verdade, levar mais de um ano (!) para publicar uma viagem de 9 dias não é justo com ninguém. Não é justo com os pedalantes protagonistas, com os pedalantes figurantes, com os pedalantes espectadores, e até mesmo com os não pedalantes que fazem qualquer outra coisa (nem que seja se divertir a ler ou ver fotinho por aqui). Não é justo nem com o tio googol, já que nós fazemos ele acreditar que a atualização deste site é semanal. Mas, como nada da vida é justo, justo no começo do ano nós conseguimos juntar forças (juntamos também um monte de lixo, mas estamos reciclando) e publicar essa que é, até então, a aventura mais audaciosa e extensa (em todos os cinco sentidos) do odois: a viagem de Curitiba à Florianópolis, ida e voltas (volta na ilha e volta pra casa)!

Nota do Editor
Todos os "x" e "s" em exxcessso ou desxlocadoxs do contesxto original são intencionalmente disxpostoxs para simular o sotaque caracterísxstico dos nativoxs de flnópxs.
Segunda Nota do Editor
Nota 5, porque as piadas iniciais estão meio fracas mesmo.

Estava pensando se precisa escrever em primeira pessoa, mas considerando que foram quatro pessoas e nove dias, isso não importa muito. Solicitamos, portanto, que antes desta leitura e mirada na viaxe (todas essas palavras constam no dixcionario de Flonóplis), voxcê leitor (esse vocxê tá mais pra emo do que pra manezês) observe com atenção o mapa abaixo - afinal, deu trabalho pra fazer. E também porque não existem outros a partir daqui (calma, calma - falamos de outros especificamente nesta viagem, mas as próximas continuaram sendo devidamente ilustradas, ok?). Contudo, se você gosta mesmo é de interação, dê uma olhada no mapa!. Agora, se você quer mais interação ainda, mais emoção e adrenalina, mais muito mais do mais do super plus mesmo, faça assim: coloque esse site nos favoritos (para ler depois), pegue uma bike e vá pedalar, oras!

Bom, se você ainda não foi pedalar e continua lendo, saiba: são 9 dias - e isso aqui é só o começo. Não se deixe enganar pela velocidade da sua internet: espere aparecer os links diários (lá-lá-lá-logo ali embaixsxo do menu princxcipal do sxsite) e delicie-se com todos os detalhes esmiuçados e cheios de chiados desta viagem florianopópéica!

Mapa & Tracks

1Serra abaixo 1 dia 175 km
DIA 1 curitiba, joinville, barra velha

Esse dia, ah. Me lembro como se fosse hoje. Aliás, que dia é hoje mesmo? Eu, eu, não sei. Mas acho que escrever assim pode parecer esquisito, estamos na era youtube, super áudio-vídeo-múltimídia, e eu me sinto tão supérfulo quanto o responsável pelas legendas. Aliás, isso me faz lembrar que tenho que começar a colocar as legendas nas fotos. Não que eu queira fugir do assunto, mas as legendas são realmente importantes. Sério! Uma vez um cara me disse que é a parte mais divertida do site do odois. E também que...

Interrompemos o parágrafo anterior pois o editor em questão foi indiciado por "fuga ao tema", o que implica na duplicação da réplica de informações, automaticamente gerando um número maior de informações que não estão relacionadas diretamente à obra discutida neste momento. E, em concordância ao exposto na frase imediatamente anterior a esta, interrompo eu (o 3º editor) este discurso disperso para falar sobre a tal da história - poxcha, tais tolo tais?

A descida da serra pela BR376 é praticamente uma subida. De longe víamos uma cortina de fumaça, pelo sol que fazia não estava nevando. Foi, na realidade, uma caminhão de cimento que tombou e provocou um efeito bonito na pista, e um pigmento mais bonito ainda na pele dos ciclistas. Primeira parada em Xoinville, o citatecinha dos alemon. Ao fundo uma música temática (aquele mesmo pón-pón-pón que você está pensando, estilo alemonzada), e a gravação do locutor repetindo "bem vindo ao exxxpoville...".

Dois pneus furados depois e muitos quilômetros pela BR101, já estávamos em terras ainda não habitadas ciclisticamente pelo odois. Para que não faltasse preocupação desde o início, erramos em cerca de 9 km a entrada de "Old Bar Beach". Mas - que bom né? - deu pra conhecer absolutamente toda a orla.

Já acampados e bem acomodados no Uai Camping, fomos brincar no mar. Resultado: super empolgados com o início da viagem, ficamos nadando até o anoitecer. Janta especial (só porque era a primeira) e caminhada noturna (aha! nada radical, no calçadão mesmo, pra ligar pra mãe). Fazendo jus aos 180 km e ao sotaque dos anfitriões, dormimos como legítimas pedras recém mineiradas (pedras que roncam, mas pedras).

2Resgatados em Itapema 1 dia 70 km
DIA 2 barra velha, navegantes, itajaí, camboriú, itapema

Acordados pela fome e despertados pela inesquecível visão do sol nascendo sobre a linha que divide mar e céu (aliás, amigo, essa bela foto você vai ter que ir até barra velha para vivenciar...), levantamos acampamento rumo ao sul.

Em um bom pedal à beira-mar (ou quase), passeamos de Piçarras à Navegantes. Nesta última, surpreendemo-nos com as ciclofaixas dedicadas aos ciclistas em praticamente todas as ruas em que passamos. Depois de uma travessia de balsa para Itajaí, sentíamos claramente que adentrávamos território estrangeiro. Depois de pedir algumas informações constatamos (pelo sotaque local): à despeito da configuração geográfica, Itajaí é uma ilha desgarrada do arquipélago de Açores.

Saindo dos Açores (ou entrando ainda mais, não tínhamos certeza), alçamos Camboriú. Tão impressionante quanto a quantidade de edifícios é a sua proximidade da orla. Almoçamos (depois de procurar muito por um lugar que comportasse adequadamente nossa esquadra e nossa fome) e, ao descansar na praia, comprovamos que não há exagero em dizer que, às 15h da tarde, já não há mais sol na praia em função das sombras dos prédios...

Depois de um trecho com boas subidas (ufa, o morro do boi não é baba!), chegamos à Itapema. Desesperados, não, mas apreensivos. Precisávamos encontrar um pouso adequado (entenda-se "não extorsivo"). Depois de três análises de campings, aparentemente as únicas alternativas, aí sim, estávamos desesperados. Em breve escureceria. Procurando informações, entre a dúvida de prosseguir ou retornar para conseguir pouso, conhecemos o Marcelo e a Simone. Ele, cicloturista. Ela, mulher de cicloturista (do Marcelo, por acaso). Nos acolheram em sua casa, e com tanta gentileza que sentíamo-nos encabulados. Estávamos em casa longe de casa, e entre amigos.

Trocando boas conversas e experiências, passamos o fim do dia. Ainda tivemos tempo de entrar no mar, assistir a ginástica na areia e sair para jantar uma boa pizza. Dormimos brincando, a disputar o lugar mais distante da porta: tanta sorte tinha que ter um preço, no mínimo alguém iria acordar em uma banheira cheia de gelo, sem os rins... =)

3Desembarque na ilha da magia 1 dia 94 km
DIA 3 itapema, florianópolis, praia de moçambique

O nosso hospitaleiro anfitrião (não mosquito nem nenhum tipo de tênia), Marcelo, brindou nossa despedida com uma passeio na bicicleta (vulgo veículo mais carregado do grupo em 102% das expedições) do Lulis, à qual julgou estar fora dos padrões normais de pedal (uma vez que ele também é ciclista).

Você leitor ainda deve estar empolgado na sua leitura, uma vez que viagens de três dias são comuns por aqui! Felizmente ainda estávamos muito empolgados nessa altura da viagem, até porque, seria o dia de:

  1. Chegar pela primeira vez em uma capital que não a natal (natal no sentido de origem, concepção - vai demorar pra chegarmos em Natal, talvez em um 25 de dezembro de qualquer ano desses...);
  2. Chegar em uma grande cidade litorânea;
  3. Chegar em uma comunidade com idioma diferente do nosso (maix maix, num é?);
  4. Chegar em Lá-Lá-Lá-Flanops;
  5. Atingir a maior distância de "ida" em uma viagem;
  6. Atravessar a famosa ponte: "Ponte paralela à Hercílio Luz" entre outras realizações pessoais (atravessar uma ilha e etc...)
#
Lá-Lá-Lá-Flanops
Lá-Lá-Lá-Flanops é a maneira como as pessoas que moram lá-lá-lá-perto-de-Flanops referem-se à lá-lá-lá-localidade de Lá-Lá-Lá-Flanops (contudo, os moradores de lá-lá-lá costumam abreviar a expressão por apenas Flanops (mas somente enquanto estão lá-lá-lá)). Gramaticalmente observa-se que este termo composto alia a repetitiva e retórica epizêuxis do advérbio de lugar (lá-lá-lá) ao substantivo próprio que denomina a metrópole em questão - embora sincopado de maneira célere e, porque não dizer, carinhosa (Flanops). Compreender pode ser chato, pronunciar impossível, mas ouvir é indispensável:

Chato que fosse, não podíamos mais seguir próximos ao mar (não tinhámos pedalinho na ocasião (e em nenhuma outra)), e a AR101 nos esperava (AR é de Argentina, contabilizamos pela quantidade de ônibus e veículos originados deste país circulando no trecho). Encontramos outro ser da nossa espécie, o Diego. Ele vinha de Curitiba e seguia para Palhoça. Muito feliz nos contou várias história engraçadas, como a vez em que sua pedalada foi completada em uma maca do Siate (ou Xiatche em manezês). Estudante de Geografia, ele viaja sozinho (corrigindo, ele leva um pneu extra) pelo litoral (já esteve em superagui e outros super's por aí).

O odois também é cultura: paramos no museu etnográfico e encontramos uma torneira contemporânea que nos foi muito útil. Alguns quilômetros pela frente e a placa azul indicava: "Bem vindos a Florianópolis!" Obrigado! Ainda bem, imagina pedalar até lá e nem isso receber da cidade? Besteiras à parte, após um sessão de tentativas de atropelamento das bifurcações da entrada de Floripa, chegamos à travessia. Uma curiosa ciclovia abaixo do viaduto nos concede passagem para a Ilhasc.

Sanando todos os anseios promovidos pela Globo em suas novelaix cariocaix, pedalamos na órrrla de Floripa, que é tipo um Rio de Janeiro dos argentinos. Tudo muito ensolarado e bonito - mas eis que surgue um "negócio": a trasposição semi-vertical pré Lagoa da Conceição. Sabes que é Barra atravexar? Não foi fácil chegar ao mirante, mas a vista recompensou, realmente estávamos na Ibiza brasileira. Ciclista gosta mesmo é de pedalar, serra abaixo seguimos sentido "Barra da Lagoa". Já era tarde e estava muito difícil de achar um lugar pra ficar - até surgirem uns turistas com uma dica sobre o CIDASC: um acampamento de férias, de administração público-privada, onde pessoas de motorhome, oriundas de locais com origem ibérica (prefiro não citar países) moram (na alta temporada, quando aberto). Realmente vale a pena, principalmente pela bela praia de Moçambique.

4Sul de Floripa 1 dia 46 km
DIA 4 praia de moçambique, barra da lagoa, joaquina, campeche, morro das pedras, pântano do sul, solidão

Se no final da tarde do dia anterior a Praia de Moçambique tinha se revelado um lugar maravilhoso, no amanhecer o espetáculo foi mais bacana ainda. Rendeu duas linhas de fotos no arquivo abaixo - renove seu pano de fundo com o odois! Lavando louça, comendo bolachas, montando os alforjes; já tínhamos nesse momento uma rotina calma e divertida todas as manhãs. Não diferente de qualquer outra viagem, o planejamento não estava 100%, e várias eram as possibilidades e anagramas com o 5 mapas de florianópolis (apenas 1 prestava, e foi perdido neste mesmo dia - provavelmente fugido com uma sunga do lulis). Em síntese, eram dois dias para conhecer a Ilha, lembrando que o final do segundo dia seria já na AR101 rumo norte. Muito se falou sobre o sul, e sua característica idéia do exótico e da aventura. E pra lá mesmo que nós fomos.

Ainda no início do trajeto, pausa para conhecer a "tal" Joaquina. Ao contrário dos morros de areia das pedreiras de Rio Branco do Sul, as dunas pareciam um pouco mais higiênicas e paradisíacas. Revezamento dois a dois brincando no atoleiro de areia, saímos devidamente marinados rumo ao sul, pela orla marítima. Surge aí o problema, não havia bem uma orla. Na altura de Campeche, não sabiámos mais exatamente onde (no mapa) estávamos, e quando chegaria algo do tipo: você está próximo do sul. Pra melhorar, a fome era grande, e as opções de alimentação às 14hrs eram poucas e caras. O desorientador oficial do grupo (Dú) já não orientava por mapa, e sim por instinto (ruim, até a hora de perguntar pros residentes o melhor caminho que levava a algum lugar).

Sem desespero, deu tudo certo. Chegamos à localidade de "Morro das Pedras", na entrada do Parque da Lagoa do Peri. O almoço foi ali mesmo, granola com caldo de cana. A vista valeu a parada, o lugar rendeu muitas fotos e um quase tombo do Thiago (torcemos para que ele se molhasse, mas ele não o fez - contudo, se tivesse feito, torcê-lo-íamos!). Alguns quilômetros pra frente, chegamos a Pantâno do Sul, a maior vila da região sul da Ilha. Muitos turistas, mas nada com cara de camping e tampouco social food. Solução? rumar ao sul mais ainda. Naquele momento, já saindo de Pantâno, só tinhámos uma opção de pouso e estava muito além da nossa expectativa orçamentária. Sugestões vem e vão, chegamos à Solidão, o último lugar passível de transporte motorizado ao sul na Ilha. A dona de um estacionamento se compadeceu do grupo e cedeu um espaço em um terreno não utilizado. Foi o suficiente, muito legal o lugar (pra quem não tinha nada).

Muito empolgados ainda, seguimos para a praia e, na sequência, para um caminho cimentado até o lugar chamado "Saquinho" (onde, por sinal, não foi encontrada a sunga do lulis). Lá, só mesmo de burro ou à pé. Após um passeio pela praia, notamos a existência de uma trilha. A possibilidade de chegar ainda mais ao sul, e o conhecimento preliminar de uma trilha que ligava ao fim da ilha, nos fez caminhar por 01h15 sentido sul, até desistir em uma casa abandonada. Era abusar demais. Pela noite ainda caminhamos até as proximidade de Pântano, divertindo-nos com os animais exóticos da praia (cachorro x siri: the ultimate fight).

5Santo Antônio de Lisboa 1 dia 72 km
DIA 5 solidão, ribeirão da ilha, tapera, cacupé, santo antônio de lisboa, sambaqui, jurerê

"Entonces, adios al sur! Vayamos arriba!" - uma introdução não cronológica do nosso dia (onde experimentamos a não ibericação pela manhã (sul da ilha) e a completa aculturação à noite (norte)). O objetivo não era necessariamente as badaladas praias turísticas do norte, mas deu nisso.

Interrompemos novamente o fluxo normal do texto para internar o terceiro editor. Reindexando...

Pra não faltar o sudoeste da ilha, seguimos para o centro passando por Tapera (se você observar bem no mapa da introdução, não tem a mínima lógica, porque aumentamos substancialmente o caminho - informações expostas pelo Dú semanas depois) e retornando à AR-SC401 para chegar no centro. Na região de Saco dos Limões tem um túnel onde é proibido circular com bicicletas. Tão tolo tão??? Fazer o que, contornando o morro conhecemos algumas marinas! Chegamos então ao centro agitado de Floripa. Após visitarmos uma agência catarina do Itaú (tá, o Lulis foi sacar dinheiro), procuramos uma refeição social no centro. Depois de algum tempo perguntando e pesquisando algo barato, algum odois teve a idéia inteligente de perguntar ao público alvo desses restaurantes baratos onde poderíamos encontrá-los. Um camelô nos mostrou dois. Depois de muito tempo, almoço de verdade (e muito almoço).

Seguindo pelas estradaix que levam ais praias popixs, saímos sentido orla marítima, em Cacupé. Depois de muito tempo margeando o oceano, conhecendo a população do oestenoroeste (ponto subcolateral) da ilha, chegamos à Sto. Antônio de Lisboa. Carregada de história, a localidade é muito agradável e rústica. Falando em rusticidade, Sambaqui é quase indígena. Não, não é pra tanto, é somente uma vilazinha mais humilde que o restante da ilha. Embora muito bacana pelas características, não foi possível pernoitar por ali e tivemos que voltar alguns quilômetros, seguindo pro norte pop.

Que venham os holofotes! É chique mesmo esse norte hein! Umas lancha, uns estacionamento de lancha, uns posto de lancha (não tinha uma bicicletaria). A choradeira pra conseguir um camping foi pior ainda, mas o pessoal do Croa Camping nos recebeu super bem. Falando em hospitalidade, encontramos uma família de argentinos (oh.. novidade), com os quais compartilhamos a cozinha. O Frederico, chefe da família e responsável pelo traslado de alguns mil quilômetros desde Buenos Aires, nos contou muitas histórias e comeu o nosso Sopão com legumes - OHHHH! Disse que estava muito saboroso, que sentia saudade de quando comia isso (que chamava de "picado") na casa da sua mãe (ééé, teve argentino tomando picado do odois nessa viagem!). Esses argentinos são muito figura.

6Adeus Floripa 1 dia 143 km
DIA 6 jurerê, camboriú, penha

Depois de um fim de noite de muitas risadas e piadas com nossos amigos hermanos, um dia complicado e cansativo, onde o objetivo era rodar e rodar e rodar. Libertar-nos da Ilha de Sta. Catarina e ingressar novamente ao continente, rumo a civilização natal (não há necessidade de explicar os trocadilhos novamente).

Mais um passeio pela orla marítima carioco-catarinense, e, estamos no continente. Muitos e muitos quilômetros avistando a ponte Hercílio Luz de longe, finalmente nos afastamos da ilha, em um dia que 148 km seriam o necessário para cumprir a etapa. O principal atrativo foi a estrada (não, não a estrada mesmo, asfalto, isso foi ruim, digo o mar muito próximo à estrada, de uma cor clara e aparentemente limpo).

Uma surpresa na hora de passar por Camboriú, não é que no sentido Norte, a BR101 passa por um túnel cortando todo o morro (uma das poucas serras que foram conquistas durante o percurso de ida), evitando o desgaste e dando um ar divertido de modernidade à esta estrada ímpar. Em uma próxima oportunidade, atravessaremos por aqui na ida e na volta.

Após muito tempo pedalando na AR101, começa uma certa irritação ciclística, principalmente com a proximidade da cidade de Itajaí. Muita poluição e caminhões entradando e saindo, nos fizeram valorizar o percurso interno de ida, mais agradável. O ponto extremo da irritação, e inclui-se também, do perigo, foi uma ponte que atravessa o rio Itajaí Açu. Uma placa diz algo semelhante à isso: "Atenção Pedestre. Proibido atravessar por este lado. Perigo". Pensamos, o que isso quer dizer. Realmente não é nada irreal, os bloquetes que sustentam a passarela de pedestres estavam soltando. Muito inteligente; pedestre, dê um jeito de atravessar a AR101 pra outra faixa, e vá por lá.

Chateações à parte, quase no acesso à Penha, resolvemos curtir um Caldo de Cana, o que revigorou e ajudou a ter força pra enfrentar um vento contra que viria nas proximidades do Beto Carrero World. Por sinal, cabe uma lembrança engraçada, de um senhor com uma bicicleta muito simples (mas muito mesmo), que nos alcançou e nos ultrapassou quase chegando no balneário. Ele deu umas dicas sobre pouso também, mas acabaram não servindo muito. Em seguida encontramos um camping, para curtir um descanso depois de tanta poeira e sujeira adquirida na AR101.

7Caravela Sinuelo 1 dia 85 km
DIA 7 penha, são francisco do sul, vila da glória

Depois de muita crítica à AR101, começamos o dia curtindo novamente as avenidas à beira mar, voltando pelo mesmo caminho de ida, e aproveitando um dia bonito de sol. A quilometragem prevista não era tão problemática, a questão que ira complicar era falta de conhecimento sobre as travessias marítimas necessárias.

Um fato curioso foi a parada no posto Sinuelo. Muitas placas na estrada indicavam a existência do mesmo, como um mega empreendimento. Realmente é. Tem até uma caravela lá (tá, tá, é uma barquinho reformado - memorial de algo) - que conta até com lenda dos fantasmas das caravelhas - é supreendente, mas tem quem diga que conseguiu vê-lo na nossa foto 141!!! Legal mesmo era o tempo que levava só pra chegar no banheiro, de tão grande que era o posto. Comentários à parte, foi lá que encontramos algumas pessoas. Pausa aqui: elas que nos encontraram e vieram falar conosco. O mais curioso foi um ciclista catarinense, que nos contou sobre a sua viagem pela região histórica do contestado - projeto que o odois vem tentando realizar desde sua concepção (disse ele que nunca furou nenhum pneu, então não sabemos ao certo o quanto lhe dar crédito...)! Presenciamos ainda a queda de meia árvore (tá, nem tanto, mas aterrisou uma boa galhada (no bom sentido)) que por pouco não danifica uma bicicleta ou um ciclista (ou mais), como atesta (aregião sobre ossuperarcílios) a foto 143.

Alguns autórgrafos depois, estávamos na estrada que da acesso à badalada ilha de São Francisco do Sul. Neste trecho, foram dois os pneus furados, e o tempo não se mostrava muito positivo para o nosso lado. Falando de outro tipo de tempo, aquele de relógio, não tinhámos muito e uma pequena confusão intra componentes foi gerada, até a opção de seguir para o centro histórico, tentando descobrir um jeito de trasladar até a "Vila da Glória", no extremo sul do município de Itapoá. Alguns minutos de negociação, e o barqueiro que opera a única linha, que é de passageiros, nos liberou uma preço legal para fazer a travessia.

Chegando na Vila da Glória, já era noite e as previsões quanto à estrada até a praia de Itapoá não eram as melhores. Conversas à parte, o Jair, dono do bar quase em frente à beira mar, nos autorizou a armar a barraca por ali. Foi um camping selvagem, utilizando do vestiário do campo como estrutura, e apoio gastronômico da mulher do Jair, com ótimos pastéis.

8Rumo a Curitiba com escala em Ipanema 2 dias 198 km
DIAS 8 e 9 vila da glória, guaratuba, ipanema, curitiba

Algumas novidades ainda esperavam o odois nos dois últimos dias de viagem. O objetivo do dia era a B.O.L.A. (Base Operacional Litorânea Aperiódica), vulgo Balneário de Ipanema, em Pontal do Paraná. Para tanto, percorreríamos novos caminhos ciclísticos. Nem sequer questionando o que viria pela frente, iniciamos o trecho Vila da Glória - Itapoá. Com certeza o período de média mais baixa de toda a viagem, utilizando a relação mais leve de câmbio para tentar superar as patinadas no areal (também conhecido naquela região, embora erroneamente, por "estrada"). Diversões à parte, ainda alongamos o caminho contornando por essa estrada toda a "quina" do continente até o início definitivo de Itapoá.

Surge, então, um novo piso: o asfalto volta reinar. Parece ser um alívio mas, como que por mágica, a estrada volta a ser retalhada pelo barro, digo, pela areia. Engenharicamente com problemas a sequência.

Apesar desta viagem conter apenas dois editores (embora não contenha glúten), segundo o primeiro o terceiro está trancado no quarto depois de ter sido esquatejado e colocado em um cesto pelo quinto. Tudo isso porque a comissão de editores não conseguiu entender e nem explicar esta última frase. Sendo assim, continuarei eu (o sétimo editor) com o oitavo dia antes que isso vire a casa da nona.

Depois de tanta discussão asfáltica e cardinálica, iniciamos os 20km de extensão da praia de Itapoá. Aos que ainda não conhecem, dar uma voltinha pela orla até o final da praia representa uma viagem pra levar barraca (esse foi o caso, mas não exatamente com o objetivo de acampar por lá =).

Na saída de Itapoá encontramos um restaurante de comida típica. Tipicamente de beira de estrada, estilo nóis mesmo! Um almoço um tanto quanto estranho e logo estávamos em Guaratuba. Uma passeio pela beira mar e balsa pro outro lado da baía. Mais algumas dezenas de quilômetros, uma visitinha breve no meio do caminho (coisa do lulis com saldade, digo, saudade da namorada) e, regados de alegria e comemoração, chegamos felizes e secos à B.O.L.A. E falando em bola, em função da operação "Viva o Verão", ao visitar a praia, avistamos aqueles postos onde tem vários esportes sendo quase coordenados. Sobrou tempo para jogar (mal) um voleibol na areia.

Exaustos, cansados, sonolentos... estou falando de vocês leitores! Mas juramos que está pelo fim essa história (mas só essa). Uma volta no melhor modelo não-muito-diferente para o trecho B.O.L.A - Curitiba. Como tudo na vida tem uma diferença, o Thiago teve o prazer de reunir quatro pneus furados.

Interrompemos novamente, acrescentando que esse fato não é diferente, uma vez que o Thiago já é recordista oficial disparado em números de pneu furado.

Epa! Pense bem: quatro pneus! Até três pneus furados para uma pessoa é normal, aceitável, mas quatro? São duas bicicletas! Um carro! Sabe lá o que é ter um carro inteiro furado? Sobra só o estepe - isso se não estiver murcho ou se não for uma savana!

É, tudo bem, é verdade. Ele merece ser visto como o diferente. Parabéns Thiago!!! Continue progredindo! Prometo não me meter mais nos seus furos, ok?

Após a Serra do Mar, fomos brindados com um vento forte à favor, que nos conduziu com segurança e pouco esforço até o cruzamento final: a despedida (nove dias de convivência é muito, quase um noivado!). Entre risadas e cansaço, o maior projeto do odois foi concluído com sucesso: o litoral norte de SC estava sitiado - assim como também, claro, a capital da Argentina, a Ilha: Florianópolis!

Serviços #

Uai Camping. Waldercy e Alici. R. Arthur Zimmermann, 93, Praia do Tabuleiro, Barra Velha-SC. (47) 3456 5483.

CIDASC - Camping do Parque Estadual do Rio Vermelho. Funciona somente na alta temporada, e não há necessidade de afiliação. Ótima estrutura, praia de Moçambique a 5 minutos por trilha. Mais informações aqui.

Croa Camping. Rod. Tertuliano Brito Xavier, 2630, Jurerê, Florianópolis-SC. (48) 32661980. campingcroa@yahoo.com.br.

Camping dos Amigos. Esse, amigo, a gente fica devendo. Agora, pra não dizer que fomos completamente displicentes, encontre-o aqui.

Bar do Campinho. Vila da Glória, Itapoá-SC. Campo de futebol próximo ao trapiche. Jair.

Expediente #

Dados e texto por Du, mais texto e fotos por Lulis, mais fotos (com date stamp) por Thi.

Pedalado por du, lulis, thiago, arce.

Publicado em 29 jan 2008.