Cerro Azul

8 a 10 jul 2006 3 dias 203 km

Após muito tempo sem você, leitor das nossas histórias compridas sobre tudo aquilo já cumprido, ter informações sobre as expedições que duram mais de um dia no odois, chegou a hora de conhecer uma aventura que provou a diferença entre áreas planas e vales.

Na primeira semana das férias de julho (que para muitos nem é ferias ainda), partimos da idéia de conhecer a cidade de Cerro Azul na região nordeste do estado, considerando sua popularidade na área de turismo de aventura e sua fama de cidade ecológica. Junto a isso, tínhamos a missão de tentar apagar um erro na memória (memory card error) do odois, que foi a "não exploração" das grutas de Campinhos em uma expedição de mesmo nome. Por fim, optamos por um roteiro circular, englobando a última estrada em que o odois ainda não havia passado portando alforjes e barraca: a Rodovia dos Minérios (uai!).

Um dado interessante a apresentar é a presença (em todos os dias) de um grande número de ponkans (inclusive suicidas) à beira do acostamento. Comprovamos que Cerro Azul não é conhecida como a terra da laranja (e diversos outros elementos cíclicos, digo, cítricos) à toa.

Confira os dados, fotos e demais detalhamentos cítro-turísticos desta mimosa viagem ali em cima, nos links diários =)

Mapa & Tracks

1Sobe, desce, desce, desce 1 dia 93 km
DIA 1 curitiba, alm. tamandaré, rio branco do sul, cerro azul

A Rodovia dos Minérios já é velha conhecida do grupo pela imensa variedade de trilhas que permeiam a região de Tamandaré. A novidade se daria somente à partir da entrada do município de Rio Branco do Sul, e uma grande surpresa se deu justamente neste trecho: a cidade fica num lugar caracterizado por... buraco. Não se pode chamar de vale, mas sim de buraco mesmo. Existem grandes desníveis dentro do município. A história que foi pensada pelo grupo pra explicar a situação se baseia em uma mãe que deixa seu filho pra brincar no quintal e, quando olha pra fora, a criança já rolou umas 20 quadras pra baixo na casa de vizinhos (fazendo vários novos amigos).

Saindo desse município (escalando as ruas) nos deparamos com uma situação inusitada. Até então, imaginávamos encontrar um asfalto muito ruim, ou mesmo uma estrada de terra. Nem um, nem o outro; há pouco tempo a rodovia foi reaberta, estando em excelente condições de tráfego e sinalização. Apesar das subidas e descidas (neste dia mais descidas), conseguimos chegar até o município de Cerro Azul um pouco cansados, mas contentes com a realização deste novo sentido na vida do odois (sentido norte).

O pouso, pra variar, não era nem um pouco confirmado. Fomos pedir informações no orgão público mais recomendado da cidade para tal fim: a delegacia. Foi realmente estranho, mas o delegado nos atendeu super bem e indicou uma área um pouco distante da cidade, onde havia um morador que poderia nos ajudar. Chegando neste último, ficamos sabendo pela mulher do Sr. que ele estava "medindo uns terrenos" e teríamos que esperar. Pra matar o tempo, nada melhor que escalar um deslizamento de terra na estrada!

Cansados de aguardar, voltamos. E, com a ajuda de um menino que estava perambulando por ali, tivemos a indicação de uma "prainha" às margens do Rio Ribeira. O lugar realmente impressionou. Havia até um balsa abandonada, onde passamos alguns minutos filosofando. Pra janta, uma novidade: macarrão verde com queijo ralado. Não dava pra ver a cor da novidade, mas até que ficou comestível.

2Absolutamente só sobe 1 dia 47 km
DIA 2 cerro azul, tunas do paraná, pq. est. campinhos, vila do tigre

Lembro até hoje a frase que estava na minha cabeça antes de percorrer estes 52 km. Havia lido num site: "A pedalada entre Tunas do Paraná e Cerro Azul é feita por uma estrada de terra muito boa, com paisagens alucinantes e bucólicas. O único porém é que o trecho inverso é somente subida, portanto não o faça". Fiquei pensando quem era o cara para subestimar a capacidade do poder odois. Depois deste dia tive certeza de que ele, no mínimo, fora um amigo querendo nos previnir da "cagd.." que é subir os quase 30 km de estrada de terra no melhor estilo "zig-zag". Confesso que a chance de ver a paisagem foi bem maior no sentido ascensão, uma vez que a velocidade não passava de 7km por hora de maneira nenhuma.

Mas também não é assim, somente vida triste e sofrimento: o caminho realmente é muito apreciável e o Vale do Ribeira se apresenta de maneira ímpar frente a outras expedições. Alguns cítricos "emprestados" aqui, uma paradinha pra descansar ali e chegamos (numa garoa) ao centro de Tunas do Paraná. O objetivo do dia era chegar até campinhos no máximo às 16h - e visitar a gruta.

Na saída da cidade, cerca de 14h, começa a cair um temporal impedalável, e os componentes (encharcados) do odois precisam se abrigar em uma "porteira coberta" (uma espécie de "telhadinho"). Dois pacotes de bolacha salgada e uma doce depois, a chuva cessa parcialmente e seguimos pra Campinhos. Seguindo obviamente as leis de Murphy, quando chegamos na recepção do parque, havia saído a última excursão do dia (eram 16h:10). E o tabu das grutas acabou por não ser quebrado!

O objetivo então era conseguir um pouso. Recorremos ao Sr. Francisco, um homem que vive na região do Parque desde criança e, hoje, é voluntário do IAP. Um velho amigo de outra expedição, que gosta de contar histórias de quando era jovem - como o caso em que chegou a ficar perdido por três dias na gruta. Ele fez a gentileza de nos acompanhar como responsável para chegar ao outro extremo do parque (é proibido atravessá-lo sem guia ou acampar por lá), onde existe um local chamado Vila do Tigre. Nesta última, ficamos acampados na varanda de uma antiga casa.

3E mais sobe e desce 1 dia 63 km
DIA 3 vila do tigre, bocaiúva do sul, colombo, curitiba

Após uma noite muito úmida, acordamos cedo com o objetivo de voltar à cidade o mais rápido possível; o motivo: o thiago tinha uma prova no final da tarde, e precisava pelo menos descansar. Soube posteriormente que ele obteve muito êxito neste teste.

Um pouco de enrolação para guardar a barraca molhada e logo estávamos na rodovia de volta para casa. O tempo estava mais ameno, e as subidas e descidas da BR476 já não eram um desafio tão grande como outrora (depois de tanto sofrimento no segundo dia, acabou ficando fácil, até).

Quase 12h30 e estávamos no trevo do Atuba, tudo como esperado, inclusive a pressa do Thiago. Para que ele pudesse se acalmar um pouco sobre a prova, um pneu furado na frente do hospital Vita. Alguns minutos depois e se encerrava mais um projeto do odois.

Expediente #

texto, fatos e fotos por Du, fotos e fotos por Thi, jeitinho mimoso por Cheps, comentários por Lulis, Sr. NotAppearInThisFilm performed by Arce and Bruno.

Pedalado por du, cheps, thiago.

Publicado em 1 mai 2007.